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Heidegger

Reunindo catorze escritos, esta coletânea apresenta um panorama da obra de Heidegger, aprofundando questões centrais das duas fases de seu pensamento.

Título: Heidegger

Autor: Benedito Nunes

Organização e apresentação: Victor Sales Pinheiro

Editora: Loyola

Ano: 2017

N. de páginas: 164

 

Leia a Apresentação deste livro, na seção Escritos.

Assista ao Lançamento deste livro, com os Professores Victor Sales Pinheiro e Nelson Souza Jr. na seção Palestras (em breve).

Adquira este livro na Livraria Cultura ou Estante Virtual.

 

Quarta capa:

Um dos mais prestigiados filósofos e críticos literários brasileiros, Benedito Nunes protagonizou a discussão de Heidegger em nosso país. Em numerosos textos publicados ao longo das últimas cinco décadas, o ensaísta paraense legou uma contribuição original para os estudos de Fenomenologia e Estética entre nós, sendo Heidegger o núcleo de suas reflexões, sobretudo pela atenção à questão filosófica da poesia. Mas a afinidade com um autor e tema nunca limitou o horizonte de Benedito Nunes, que analisou o conjunto da obra de Heidegger e o inseriu no debate com os grandes filósofos da tradição, assim como os autores dele tributários, como Jean-Paul Sartre, Merleau-Ponty e Paul Ricoeur. 

Reunindo catorze escritos, a maioria inédita em livro, esta coletânea apresenta um panorama da obra de Heidegger, aprofundando questões centrais das duas fases de seu pensamento, como a temporalidade, a existência, a alteridade, o niilismo, a técnica, a natureza e a poesia, sempre no estilo claro, denso e reflexivo que caracteriza a produção do distinto professor.

 

Benedito Nunes (1929-2011) formou-se em Direito e obteve pós-graduação em Filosofia na França. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente incorporada à Universidade Federal do Pará, da qual era professor emérito. Publicou vários livros, dentre os quais se destacam Introdução à filosofia da arte, Dorso do tigre, Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, Oswald canibal, O drama da linguagem: uma leitura de Clarice Lispector, João Cabral: a máquina do poema, No tempo do niilismo e outros ensaios, Crivo de papel, A clave do poético, A Rosa o que é de Rosa: Literatura e Filosofia em Guimaraes Rosa e Ensaios filosóficos. Em 1987 e 2010, recebeu o Prêmio Jabuti de estudos literários, e em 2010, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

 

Excerto: 

“a verdade não pertence ao Dasein; pertence ao ser, que une o seu destino ao da Metafísica. Seja qual for a modalidade entitativa predominante, idea, physis ou vontade de potência, nenhuma esgota o ser; e cada qual deixa atrás de si um rastro de impensado e um esboço do que ainda se pode pensar. Contaminado pela Metafísica, o pensamento racional, de ordem representativa, é incapaz de seguir o rastro do não pensado e de desenvolver o que ainda resta a pensar. Somente o pensamento afim à poesia estaria apto a fazê-lo, descobrindo o ser nos filósofos que desdenham o sistema e no dizer-mostrar da palavra dos poetas. Nessas condições, o pensador, que é quem está trabalhando com os textos de uns e de outros, passaria à função de assistente dos filósofos e dos poetas, ao mesmo tempo de intérprete da técnica, do ambíguo perigo de sua abertura, tendente a destruir-nos ou a salvar-nos.

Tal é, resumidamente, a virada do pensamento de Heidegger, que o levou da ontologia fundamental à História do ser na segunda fase de sua filosofia. Essa virada é, segundo nosso ponto de vista, inseparável daquela ocorrida nas relações entre poesia e linguagem. (...) para Heidegger, não é a poesia uma possível forma de linguagem; a linguagem mesma já é poética em sua forma original. A poesia mesma ‘possibilita por primeiro a linguagem’. Não haveria linguagem sem poesia. Poesia e linguagem são conascentes.”

Benedito Nunes, ‘Heidegger e a poesia’

 

Índice

- Apresentação: A vereda heideggeriana de Benedito Nunes, Victor Sales Pinheiro

I. Caminhos e palavras

- Introdução à leitura de Heidegger

- A sinfonia inacabada de Heidegger

- O esquecimento da fala

- A tradução de Dasein

II. Metafísica do Dasein

– Heidegger e Aristóteles

- Experiências do tempo

- Heidegger e Sartre

- A questão do outro em Heidegger

III. História do Ser

- O Nietzsche de Heidegger

- História e ontologia (da essência da técnica)

- Physis, Natura – Heidegger e Merleau-Ponty

- Heidegger e a poesia

Apêndice

- Heidegger e a política

- O misticismo de Heidegger

 

Bibliografia geral

 

 

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