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A vereda heideggeriana de Benedito Nunes

Os catorze ensaios deste livro contribuem para a compreensão da origem e do alcance da "prática meditante" de Heidegger, integrada pelo filósofo brasileiro Benedito Nunes na sua vereda hermenêutica.

Apresentação do livro Heidegger, de Benedito Nunes (Ed. Loyola, 2017). 

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A vereda heideggeriana de Benedito Nunes

Victor Sales Pinheiro

 

Benedito Nunes é um dos responsáveis pela recepção e debate de Heidegger no Brasil. Desde a década de 1960, publicando ensaios em suplementos literários de jornais, revistas acadêmicas e livros de autoria coletiva, o professor paraense identificou em Heidegger um interlocutor privilegiado e indispensável. Privilegiado, porque Heidegger radicalizou a especulação filosófica sobre a natureza do poético e a ontologia da obra de arte, questão que, como crítico literário, Benedito Nunes enfrentou ao longo de toda sua obra. Indispensável, porque a filosofia contemporânea continental, a tradição fenomenológico-hermenêutica, é em grande parte galvanizada pelo pensamento heideggeriano, que se espraiou às mais diversas áreas do saber, sendo ele um dos mais desafiadores e influentes pensadores do século XX. Desse modo, os livros de ensaios reunidos de Benedito Nunes – O Dorso do tigre (1969), No tempo do niilismo e outros ensaios (1993), Crivo de papel (1998), A Clave do poético (2009) e Ensaios filosóficos (2010) – abordam, direta ou indiretamente, as múltiplas questões heideggerianas e seus desdobramentos filosóficos. Com exceção dos escritos do Apêndice, este livro recolhe escritos das décadas 1990-2000 e registra o duplo alcance da obra filosófica de Benedito Nunes, como divulgador de Heidegger e como estudioso interessado em discuti-lo e aprofundá-lo.

De natureza abrangente, os textos elencados na primeira parte do livro propõem um balanço do percurso bibliográfico, uma apresentação geral das questões e fases de recepção da obra de Heidegger. Como o texto introdutório de Passagem para o poético, ‘A trajetória de Heidegger’, esses ensaios da primeira seção visam a apresentar sistematicamente a abundante produção do filósofo alemão. Segundo ensaio da presente coletânea, ‘A sinfonia inacabada de Heidegger’ considera a publicação dos escritos póstumos do filósofo, ainda indisponíveis quando da elaboração de Passagem para o poético, em 1986.

Benedito Nunes encontrou-se na necessidade de complementar, no modo intervalar da ensaística, o seu estudo de Heidegger com a análise dos escritos inéditos, publicados a partir da década de 1970 com a edição das obras completas (Gesamtausgabe), que redimensionam a divisão tradicional em dois momentos do pensamento heideggeriano: a Metafísica do Dasein e a História do Ser, títulos das duas partes nucleares deste livro. Na verdade, escritos póstumos como Os Conceitos fundamentais da Metafísica e Contribuições à filosofia permitem nuançar os “degraus da reviravolta” (Kehre), pois “mantêm e reformulam a noção de Dasein, erguem-se sobre o limiar irrevogável do pensamento de Heidegger: as conquistas conceptuais de Ser e tempo, que revolucionaram o todo da tradição filosófica.” (‘A sinfonia inacabada de Heidegger’). Ou seja, não é possível promover a “hermenêutica do ser, interpretando a linguagem dos textos primordiais do pensamento”, característica da segunda fase do pensamento heideggeriano, sem o movimento de destruição da história da ontologia que desponta no projeto de ontologia fundamental de Ser e tempo (‘Introdução à leitura de Heidegger’). Com essa noção, o ensaísta afina-se à ressalva do filósofo alemão diante da sistematização de sua obra, de que a distinção entre o I e o II Heidegger só faz sentido se compreendida como continuidade e modulação, jamais como ruptura e abandono, pois “somente a partir do que é pensado sob o I se faz possível o II”, assim como “o pensado sob o I somente é possível se está contido no II”[1].

Com efeito, Benedito Nunes sempre atentou à passagem, que une muito mais do que cinde o I e o II Heidegger, afastando-se de certo didatismo que os estanca, simplificando a dinâmica do pensar heideggeriano. Por exemplo, no texto ‘O misticismo de Heidegger’, de 1971 – apenas dois anos após a publicação do estudo referencial de Richardson, Heidegger: From Phenomenology to Thought -, o autor afirma que “não mais pode prevalecer o ponto de vista segundo o qual teria a filosofia heideggeriana experimentado brusca mudança de orientação, ao afastar-se da analítica existencial inaugurada em Ser e tempo”. O mesmo se pode perceber nos ensaios de O crivo de papel dedicados a Heidegger, nos quais há sempre um esforço de reconstituir a transição espiralada do seu pensamento. Os dois primeiros ensaios dessa obra - ‘O último Deus’ e ‘Do primeiro ao último começo’ – constituem valiosas incursões na problemática da segunda obra capital de Heidegger, depois de Ser e tempo, Contribuições à Filosofia, aqui neste livro abordada em ‘O Nietzsche de Heidegger’ e ‘História e Ontologia (Da essência da técnica)’. 

O que se convencionou denominar o I Heidegger é tratado predominantemente na segunda parte deste livro, que gravita em torno das questões fundamentais de Ser e tempo, como a hermenêutica da facticidade e a destruição da história da ontologia. Nesse contexto, em ‘Heidegger e Aristóteles’, Benedito Nunes analisa a decisiva interpretação fenomenológica do filósofo grego, que delineou o projeto de ontologia fundamental. Como se sabe, é impossível compreender Heidegger sem inseri-lo na densa rede de interlocução que configura o seu pensamento. Mas não basta comparar Heidegger com Aristóteles ou Nietzsche, Husserl ou Sartre. É necessário contextualizar o horizonte hermenêutico dessa confrontação, já que Heidegger nunca pretendeu desenvolver uma história da filosofia nos moldes da historiografia dos conceitos ou das ideias, uma mera descrição exegética do pensamento de um autor decisivo do passado. Pautada na destruição da história da ontologia, posteriormente redimensionada pela hermenêutica epocal da história do Ser, a relação de Heidegger com os grandes autores da tradição tampouco pode ser pensada sob a forma de influência e simples incorporação.

De fato, Benedito Nunes assinala que: “Singularizado pela questão do ser, inerente à definição mesma de Dasein, como ser-no-mundo, o pensamento de Heidegger tem no ato de reinterpretar todas as grandes filosofias da Antiguidade grega, da Idade Média e da época moderna, conferindo-lhes, portanto, novas identidades, o princípio mesmo de sua economia interna, ou, se quisermos, de sua endogenia.” (‘O Nietzsche de Heidegger’). Portanto, os horizontes hermenêuticos, da primeira e da segunda fase do pensamento heideggeriano, devem ser elucidados para uma efetiva compreensão da confrontação em jogo nos diálogos e traduções de Heidegger com filósofos e poetas. Como notou Jean-François Nordmann na acurada crítica que escreveu sobre Crivo de papel, Benedito Nunes responde à “exigência incondicional” de acompanhar Heidegger “em quaisquer rumos de seu pensamento, esforçando-se sempre por re-entender e reefetuar este pensamento por dentro.”[2]

Em relação ao problema da tradução, essencial à compreensão hermenêutica, Benedito Nunes analisa a inconveniência da tradução da palavra heideggeriana fundamental, presença (Dasein), proposta por Marcia Sá Cavalcante Schuback, que, em 1988, publicou a primeira edição de Ser e tempo no Brasil[3]. Um ensaio como ‘A tradução de Dasein’ registra a atenção ao modo como o pensamento de Heidegger é recepcionado no Brasil, fazendo parte da produção ensaística do autor resenhas e recensões sobre traduções e estudos publicados sobre o movimento fenomenológico em geral[4]. Outros dois exemplos desse fato, que marca a produção do crítico de filosofia Benedito Nunes, são os ensaios ‘O esquecimento da fala’, a respeito da versão brasileira do Dicionário Heidegger (Jorge Zahar, 2002) e ‘O misticismo de Heidegger’. Este último ensaio, escrito em 1971 e aqui enfeixado no Apêndice, aborda dois livros relevantes para a recepção de Heidegger no Brasil, o de José Guilherme Merquior, Arte e sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamim (1969) e o de João Augusto MacDowell, A gênese da ontologia fundamental (1970). 

Deve-se dizer, porém, que, juntamente com o outro escrito do Apêndice, ‘Heidegger e a política’, de 1969, esse ensaio ‘O misticismo de Heidegger’ era considerado “datado” por Benedito Nunes, que posteriormente aperfeiçoou a compreensão do sagrado e da política em Heidegger, em textos como ‘O último Deus’, de O crivo de papel, e ‘O nazismo de Heidegger’, de No tempo do niilismo e outros ensaios. Então, qual é a razão de incluir no Apêndice dois textos que, de certa forma, destoam dos demais escritos do livro?

Em primeiro lugar, esses escritos registram o desenvolvimento de um ensaísta que refletiu sobre Heidegger durante mais de meio século, dialogando com a bibliografia brasileira e estrangeira – no caso de ‘Heidegger e a política’, discutem-se as controvertidas leituras de Georg Lukács e Karl Löwith. Em segundo lugar, esses ensaios testemunham um momento áureo do jornalismo cultural brasileiro, em que Suplementos Literários como o do Estado de São Paulo[5] publicavam análises de nível conceitual e especulativo. Além de Benedito Nunes, esse notável Suplemento também divulgava Vilém Flusser[6] e Anatol Rosenfeld[7], outros importantes cultores da fenomenologia entre nós. A restrição de espaço nos jornais atuais impede a divulgação de estudos alentados, reduzindo-os a pequenas resenhas, como ‘A sinfonia inacabada de Heidegger’, publicada no jornal mineiro O tempo em 1997, e ‘O esquecimento da fala’, publicada no jornal A Folha de São Paulo em 2003, constantes da primeira parte deste livro. 

Isso demonstra o significativo encolhimento da discussão filosófica nos meios jornalísticos impressos e a sua transferência para o âmbito de revistas acadêmicas especializadas, hoje predominantemente digitais, a exemplo de Natureza Humana (Revista Internacional de Filosofia e Psicanálise), fundada em 1999 por Zeljko Loparic. Com este importante pesquisador e divulgador de Heidegger no Brasil[8], Benedito Nunes manteve diálogo duradouro, como se pode notar nos textos ‘Variações de um tema: o nazismo de Heidegger’, de No tempo do niilismo e outros ensaios, e ‘Ética e finitude’, de Crivo de Papel. Da revista Natureza Humana, que é referência nos estudos acadêmicos de Heidegger e de psicologia filosófica, provêm quatro dos mais elaborados ensaios aqui publicados: ‘História e ontologia (da essência da técnica)’, ‘A questão do outro em Heidegger’, ‘Physis, Natura – Heidegger e Merleau-Ponty’ e ‘Heidegger e a poesia’.

Se, por um lado, essa passagem do jornal à revista restringe o alcance do debate filosófico, por outro lado, ela o aprofunda e refina, inserindo-o no debate com uma comunidade científica especializada. Quer dizer, os estudos acadêmicos sobre Heidegger acompanham não só a profissionalização universitária da atividade intelectual da filosofia, mas promovem a possibilidade de uma leitura global da obra do filósofo, em interlocução com os principais estudiosos internacionais, como Otto Pöggeler[9] e William Richardson[10]

É o contexto universitário que origina, portanto, os professores que compõem, ao lado de Benedito Nunes, a primeira geração de estudiosos de Heidegger no Brasil: Emmanuel Carneiro Leão – que traduziu e comentou Introdução à metafísica em 1966[11] – e Ernildo Stein – que traduziu ensaios e conferências imprescindíveis, reunidos na coleção Os Pensadores em 1973[12]. Ainda nas décadas de 1960-1970, deve-se destacar o trabalho de Gerd Bornheim, principalmente Metafísica e finitude e Dialética: teoria e prática, que se irmana a Benedito Nunes no tema da crítica de arte e da relação entre Filosofia e Poesia[13]. Foi essa questão da dimensão filosófica da literatura e do fundamento poético da filosofia que levou Benedito Nunes a uma leitura mais exigente da obra de Heidegger.

O interesse de Benedito Nunes por Heidegger começa cedo e surge a partir da problematização literária da existência humana, tal como desenvolvida, sobretudo, pelo pensamento existencialista. Escrito aos 19 anos, o primeiro texto publicado por Benedito Nunes antecipa uma temática heideggeriana central, a finitude do homem como ser-para-morte, pensada a partir da dimensão religiosa e filosófica da célebre novela de Tolstoi, A morte de Ivan Ilitch[14]. Com o reconhecimento do caráter necessariamente “situado” da existência humana e a abertura à “transcendência”, a leitura de Heidegger é evidenciada dois anos depois, em 1952, quando Benedito Nunes redige ‘As idéias do existencialismo’, ensaiando uma história das filosofias da existência desde Pascal e Kierkegaard, passando por Heidegger, Jaspers, Marcel, Sartre, Maritain, Chestov e Levinas, baseado nas obras de Jean Wahl, Julien Benda e Alceu de Amoroso Lima[15].

Considerando o temário e a bibliografia desses textos iniciais da produção de Benedito Nunes, que conta também com o ensaio ‘Considerações sobre A Peste’ (de Albert Camus), pode-se dizer que o interesse pelas filosofias cristãs da existência é atenuado em proveito de uma imersão nas obras de Heidegger e Sartre, assim como um estudo sistemático de Estética, a partir de Kant, Schiller, Hegel e as implicações da fenomenologia de Husserl, como revelam os artigos de filosofia publicados no Jornal do Brasil, entre 1956 e 1961. Essa série de artigos lhe valeu o convite de Antônio Candido para sistematizar esses autores e conceitos em duas obras de iniciação filosófica, Introdução à filosofia da Arte, de 1966, e Filosofia contemporânea, de 1967.

Nesta última obra, Filosofia contemporânea, já se nota a distinção de Heidegger em relação ao existencialismo, consoante a explicação da Carta sobre o humanismo, na qual o filósofo alemão se considera fora desse movimento de teor ainda metafísico. Em nota biobibliográfica ao curso Hermenêutica e poesia – o pensamento poético, que conserva o pendor didático de professor, o intelectual belenense reconhece que sua geração absorveu “um Heidegger que vinha da França, assimilado ao existencialismo”, estudando-o “sartreanamente”, chegando talvez a “sartreanizá-lo”[16]. Prova disso é a intervenção de Benedito Nunes no Segundo Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, realizado na Faculdade de Assis, em 1961, no qual o crítico articula Heidegger e Sartre para defender a concepção ontológica da linguagem, pela qual a poesia é “o fundamento do ser”, de que deriva a responsabilidade social do poeta e do crítico na conscientização da existência alienada[17]. Nessa mesma época, a primeira leitura de Benedito Nunes sobre Clarice Lispector, em um ensaio como ‘A náusea’, enfatiza a convergência de Sartre e Heidegger para elucidar o que seria o traço existencial da ficcionista[18]. Fruto da maturidade do autor, o texto ‘Heidegger e Sartre’, constante da segunda parte deste livro, é um exercício dialético de distinção e aproximação entre esses dois pensadores determinantes do século XX, um ponderado acerto de contas com sua geração marcada pela torrente existencialista.     

No texto ‘Meu caminho na crítica’, em que se revela a distinta personalidade intelectual de crítico literário e filósofo, Benedito Nunes assinala que Sartre “tem prioridade do lado dos filósofos” na relação entre Filosofia e Literatura: “Filosóficos na intenção, os dramas de Sartre, decisivo exemplo de cruzamento interno, exteriorizam a estrutura eminentemente dramática da existência humana descrita filosoficamente por esse escritor e pensador francês.”[19] No entanto, é com Heidegger que declara ter mais afinidade, com sua “hermenêutica do sentido do ser na existência humana situada no mundo e estruturada pelo tempo” e cuja “prática meditante” vai de encontro à tecnificação do mundo e adere ao canto do ser “a que nos chama a poesia”[20].

A afinidade aqui não significa uma simples predileção do estudioso, mas uma sintonia no modo de compreensão filosófica do mundo, em que a questão do ser é inseparável da questão da linguagem, o que exige a escuta do ser nas palavras dos poetas. Além de analisar com profundidade a questão do poético em Heidegger – nos livros Passagem para o poético Hermenêutica e poesia, e nos ensaios ‘Hermenêutica e poesia’, de No tempo do niilismo e outros ensaios, ‘O pensamento poético’, de Crivo de papel, e ‘Heidegger e a poesia’, desta coletânea -, Benedito Nunes renova o gesto heideggeriano de um diálogo “transacional” com o pensamento poético de autores como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral, Oswald de Andrade e Mário Faustino. Uma compreensão efetiva da relação de Benedito Nunes com Heidegger depende da leitura convergente de sua obra filosófica e de crítica literária. No contexto da intelectualidade brasileira, esse diálogo o particulariza como crítico literário e como intérprete autônomo de Heidegger, que lhe abre caminhos de um pensamento próprio, como Vicente Ferreira da Silva[21] e Vilém Flusser[22]. Naturalmente, não se pode considerar a hermenêutica heideggeriana do Ser como uma metodologia de crítica literária, como técnica de leitura de textos filosóficos e literários.

Renovar o gesto heideggeriano não é reproduzir o estilo peculiar do escritor que explorou a sintaxe e a semântica do alemão, do latim e do grego, tampouco é apropriar-se livremente dele sem nenhuma atenção à questão ontológica em jogo no seu pensamento. Como se pode ler em ‘No tempo do niilismo’, a “forte sedução” exercida por Heidegger sobre Benedito Nunes, nunca o reduziu a um epígono heideggeriano, intelectualmente combalido pelo “encantamento mimético, produzido pelo vigor das invenções verbais que atuam com a força de uma revelação misteriosófica para iniciados.”[23] Antes, trata-se de uma perplexidade filosófica diante das aporias do pensamento contemporâneo, as quais Heidegger soube desafiar de modo único com sua prática meditante, seu pensamento poético.

Os ensaios deste livro contribuem para a compreensão da origem e do alcance dessa prática meditante, integrada pelo filósofo brasileiro na sua vereda hermenêutica.    

 


[1] Martin Heidegger, ‘Carta a Richardson’ (Prefácio), p. xxii. In: RICHARDSON, William., Heidegger – through phenomenology to thought. New York: Fordham University Press, 2003. pp. viii-xxiii.

[2] Os textos críticos sobre a relação de Benedito Nunes e Heidegger, de autoria de João Barrento (sobre Passagem para o poético), Jean-François Nordmann (sobre Crivo de papel), Franklin Leopoldo e Silva (sobre Hermenêutica e poesia) e Gunter Karl  Pressler (sobre obras diversas), encontram-se em: Victor Sales Pinheiro; Luiz Costa Lima (org.) Benedito Nunes – o pensamento poético. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2012. A citação de Nordmann está à página 261 desse livro.

[3] Em Heidegger e Ser e tempo (Rio de Janeiro: Zahar, 2002, p. 42), Benedito Nunes considera que essa tradução brasileira seria de “exemplar competência”, não fosse “o único defeito” de verter Dasein por presença. Para outros argumentos contrários à referida opção cf. a ‘Apresentação à tradução brasileira’ do tradutor Marco Antônio Casanova em: Martin Heidegger, Introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2009. p.XIX-XX. Cf. também a recente alternativa, que preserva o termo Dasein intraduzido, de Fausto Castilho: Martin Heidegger, Ser e tempo. Edição bilíngue. São Paulo: Ed.Unicamp; Vozes, 2012. 

[4] Cf. ‘Nós somos um diálogo’, sobre Verdade e método, de Gadamer, em: Benedito Nunes, Ensaios filosóficos. Organização Victor Sales Pinheiro. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

[5] Cf. Elizabeth Lorenzotti, Suplemento literário, que falta ele faz!: 1956-1974 do artístico ao jornalístico: vida e morte de um caderno cultura. Prefácio Antônio Candido. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.

[6] Cf. Vilém Flusser, Língua e realidade [1963]. São Paulo, Annablume, 2004.

[7] Cf. Anatol Rosenfeld, ‘Nicolai Hartmann e a Fenomenologia’, ‘ Ressurreição de Heidegger’, ‘Jean-Paul Sartre: reflexões sobre a questão judaica’ em Texto e contexto II. São Paulo: Perspectiva,1993.   

[8] Cf. Zeljko Loparic, autor de Heideger réu: ensaio sobre a periculosidade da filosofia. São Paulo: Papirus, 1990; Ética e finitude. São Paulo: Educ, 1995; Escuta, 2004, 2ª ed.; e Heidegger. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

[9] Otto Pöggeler, A via do pensamento de Martin Heidegger [1963]. Trad. J.T. de Menezes. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

[10] J.R Richardson S.J., Heidegger. Through Phenomenology to Thought [1963]. 4a ed. New York: Fordham University Press, 2003.

[11] Cf. Martin Heidegger, Introdução à metafísica. Tradução e introdução Emmanuel Carneiro Leão. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966; Emmanuel Carneiro Leão, Aprendendo a pensar. vol.1. Rio de Janeirio: Vozes, 1977.

[12] Cf. Martin Heidegger, Ensaios e conferências. Coleção ‘Os Pensadores’. São Paulo: Ed. Abril, 1973; 2ª ed. ampliada 1979; Ernildo Stein, A questão do método na filosofia – um estudo do modelo heideggeriano (São Paulo: Duas Cidades, 1973); Seis estudos sobre Ser e tempo (Petrópolis: Vozes, 1988); Seminário sobre a verdade – Lições preliminares sobre o parágrafo 44 de Ser e tempo (Petrópolis: Vozes, 1993); Pensar é errar – um ajuste com Heidegger. Ijuí: Ed.Unijui, 2011.

[13] Cf. Gerd Bornheim, ‘Filosofia e Poesia’ e ‘Heidegger: a questão do Ser e da Dialética’ em Metafísica e finitude. São Paulo: Perspectiva, 1972; Metafísica e finitude e Dialética: teoria e prática. Rio de Janeiro: Globo, 1977.

[14] Benedito Nunes, ‘Cotidiano e morte de Ivan Ilitch’Belém: Suplemento Literário da Folha do Norte n.144, de 22/01/1950.

[15] Benedito Nunes, ‘As ideias do existencialismo’, em Revista Norte. Belém, Ano n. 3, 1952.

[16] Benedito Nunes, Hermenêutica e poesia – o pensamento poético. Organização Maria José Campos. Belo Horizonte: Ed.Ufmg, 1999. p.11.

[17] Cf. Benedito Nunes. Discussão na sétima sessão plenária do Segundo Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, 1963, pp. 400-1. Dois anos antes, em 1961, Benedito Nunes publicara o primeiro estudo brasileiro sobre A crítica da razão dialética de Sartre, quando estava na França e frequentou cursos de Merleau-Ponty e Paul Ricoeur. Cf. Benedito Nunes, ‘A crítica da razão dialética’ na seção dedicada a Sartre de Ensaios filosóficos. Organização Victor Sales Pinheiro. São Paulo: Martins Fontes, 2010.       

[18] Cf. Benedito Nunes, ‘A náusea’, em O mundo de Clarice Lispector. Manaus: Edições do Governo do Amazonas, 1966. Este ensaio foi posteriormente incorporado ao livro O dorso do tigre. São Paulo: Perspectiva, 1969; 3ª ed., Editora 34, 2009. Para o amadurecimento da leitura de Clarice Lispector, cf. Leitura de Clarice Lispector (São Paulo: Quíron, 1973; Edição revista e atualizada com o título de O drama da linguagem, Ática, 1989), em que Benedito Nunes alija o esquematismo filosófico daquela primeira aproximação, superando a “sedutora armadilha” da “Crítica desenvolvida como paráfrase filosófica”, ao priorizar o “propriamente literário”, que, estando em primeiro plano, revela o “substrato filosófico” da obra (‘Literatura e filosofia’, em No tempo do niilismo e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1993. p. 197-8).

[19] Benedito Nunes, ‘Meu caminho na crítica’, em A clave do poético. Organização Victor Sales Pinheiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.37.

[20] Ibidem.

[21] Cf. Vicente Ferreira da Silva, Transcendência do mundo e Dialética das consciências. In: Obras completas [1964]. Organização Rodrigo Petrônio. São Paulo: É Realizações, 2009-2010.

[22] Cf. Vilém Flusser, Da religiosidade. A literatura e o senso de realidade [1964]. São Paulo: Escrituras, 2002.

[23] Cf. Benedito Nunes, ‘No tempo do niilismo’, em No tempo do niilismo e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1993. p.7







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