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Discurso do Prêmio Edson Luis de Excelência Acadêmica

A Educação é certamente uma das atividades mais nobres a que o homem pode se dedicar.

Universidade Federal do Pará (UFPA)

Evento: III Semana Acadêmica de Direito do Centro Acadêmico Edson Luis (CADEL)

Local: Instituto de Ciências Jurídicas  (ICJ)

Data: 11.nov.2016

Professor: Victor Sales Pinheiro

 

Discurso do Prêmio Edson Luis de Excelência Acadêmica

 

Magnífico Reitor Emanuel Tourinho,

Prezado Professor Antônio Maués,

Estimados professores, alunos, técnicos e servidores, aqui representando a comunidade acadêmica em geral,

Fico particularmente lisonjeado com o prêmio de excelência acadêmica que agora me concedem, sobretudo vindo de escolha direta dos alunos. Confesso que não sabia sequer que eu tinha sido indicado para votação. Parabenizo o Centro Acadêmico Edson Luis por mais essa iniciativa louvável de valorizar nosso tão importante trabalho universitário. Não são poucos os que reduzem a Universidade a uma escola profissionalizante, um breve e enfadonho rito de passagem para uma ocupação técnica bem remunerada.   

Se algo tenho a lhes dizer nesse momento, além de agradecer a generosidade de me eleger, é que a Academia é um local extraordinário de trabalho, de convivência, de amadurecimento e de aprendizado, tanto intelectual quanto moral. A Educação é certamente uma das atividades mais nobres a que o homem pode se dedicar, é tocar no que há de mais precioso na alma de cada um, o seu pensamento, sempre ligado a emoções, expectativas, projetos de vida e projetos de sociedade.

Na vida, tive a graça de ter, pelo menos, três mestres marcantes, o professor Sandro Alex, o padre Fabrízio Meroni e o filósofo Benedito Nunes. Deles, aprendi o valor do magistério feito com entusiasmo e dedicação. Gostaria de ser, um dia, para algum aluno, o que eles são para mim e estou convicto de que vale muito a pena dedicar-se à vida acadêmica pela fecundidade e expansividade que a caracterizam.

Vivemos numa época histórica desafiadora, com muitas contradições e paradoxos: um mundo de riqueza abundante, mas com muita exclusão; um mundo de grande diversidade, que gera o acirramento das diferenças e dos ressentimentos, da intolerância e da agressão. Nossa sociedade brasileira tem imergido numa onda de revanchismo, de rivalidade mimética, que, como ensinou René Girard, pode gerar uma escalada de violência, presente nas redes sociais, por exemplo, em que normalmente não há interesse de compreensão recíproca entre os litigantes.

Isso nos coloca diante de uma escolha radical: ou a Universidade fornece um exemplo de diálogo e tolerância ou adere à incompreensão e ao rancor generalizado. Aqui, devemos nos esforçar por entender as razões dos outros, num esforço de alteridade e respeito. É claro que isso não é fácil, mas temos que dar à sociedade o exemplo de que o diálogo franco é possível.

O campo da Filosofia, das Ciências Humanas em geral e do Direito em particular está muito abalado. Estamos diante do desafio do relativismo epistemológico, que neutraliza nosso esforço cognitivo, reduzindo as teorias a formas de poder, ideologias de grupos, classes, etnias ou partidos. Vivemos no contexto da hermenêutica da suspeita, a que se referiu Paul Ricoeur, do pós-modernismo, do desconstrucionismo e do pensamento débil. Por isso, às vezes relegamos a atividade intelectual da Academia a um segundo ou terceiro plano, em nome da confraternização social e do ativismo político, não raro recaindo em pólos extremos de individualismo apolítico e de politização total do conhecimento. Temos que encontrar um equilíbrio entre o exercício da legítima dimensão política da Universidade - nos termos ponderados pelos professores Tourinho e Maués, dois notáveis acadêmicos -, sem privar a Universidade da liberdade e da autonomia em relação às pressões de cada época.

Nesse contexto, nosso trabalho se reveste de uma importância ímpar, porque lidamos com questões jurídicas graves, que concernem o núcleo da sociabilidade humana. Temos muita responsabilidade, devendo considerar nossa atividade como serviço, como dedicação aos alunos e à sociedade em geral, sabendo que podemos mudar a vida, pessoal e profissional, das pessoas e que é só assim que se muda a sociedade. Por isso, precisamos protagonizar o processo de aprendizagem e difusão do conhecimento, formando grupos solidários de leitura e estudo, promovendo a extensão para a sociedade desse bem comum que é o conhecimento. Se o conhecimento, por si só, não garante a justiça, sem ele, a justiça é cega, imprevisível e vulnerável. O Direito é uma instituição imprescindível, é a garantia da nossa liberdade e o meio de consecução de uma convivência pacífica e ordenada. Temos que conhecê-lo, estudá-lo, protegê-lo, criticá-lo, renová-lo, vivê-lo.

Tenho a oportunidade de trabalhar num ambiente muito favorável à docência e à pesquisa, impressionado com o interesse e a qualidade dos alunos. Agradeço, em particular, aos meus colaboradores diretos, meus mestrandos Elden, Valdenor e Dienny, meus monitores Ana Rosa, Ayrton, Ellen e Sophia, meus orientandos de iniciação cientifica Nickolas, Allan e Lucas (in memoriam) e os membros dos meus grupos de pesquisa Tradição da Lei Natural e Direitos humanos, Ética e Hermenêutica,  que tanto me estimulam em aprender mais e ensinar melhor. Também sou muito grato a todo apoio que recebo dos dirigentes do nosso Instituto, Faculdade e Programa de Pós-Graduação, professores Benatti, Maués, Girolamo e Élcio. Ademais, agradeço aos meus colegas pela interlocução e companheirismo, principalmente aos professores Saulo, Weyl e Pastora, assim como pelo trato tão cordial e amistoso com as professoras Cristina, Lise, Lully, Valena, Stella e Márcia. Não poderia esquecer da Liliane, da Bia e do seu Raimundo, cuja laboriosidade, diligência e assiduidade me inspiram diariamente.

Por fim, registro minha gratidão à minha família, à minha avó Eva (in memoriam), aos meus pais Pedro e Nena, meu irmão Pedro, minha esposa Laise e minha filha Maria, que, imerecida e incondicionalmente, confiam em mim e conferem um sentido profundo e feliz aos meus dias.

Muito obrigado! 

 

Assista ao vídeo deste discurso na Seção Palestras

 








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