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Uma justa e dupla comemoração

Nesta demonstração de estima intelectual à obra de Benedito Nunes muitas vezes transparece a admiração pessoal pelo homenageado, que sabe harmonizar, com integridade e coerência, pensamento e vida.

Apresentação do livro O pensamento poético: a obra de Benedito Nunes, organizado por Victor Sales Pinheiro e Luiz Costa Lima (Rio de Janeiro: editora Azougue, 2011).

 

Para mais informações sobre este livro, visite a seção Edições.

 

Uma justa e dupla comemoração

Victor Sales Pinheiro

 

Se considerarmos o ano de 1959 como marco inaugural da produção de Benedito Nunes – ano em que começou a escrever no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo os ensaios de crítica literária e filosófica que compõem os seus primeiros livros -, comemora-se, neste ano de 2009, os 50 anos de sua obra, uma das mais importantes contribuições ao estudo da Literatura e Filosofia em nosso país.

Este ano, em que se festejam também os seus 80 anos, é brindado por uma parcela bastante representativa da intelectualidade brasileira da crítica literária e da reflexão filosófica com este livro que o homenageia intelectualmente através da apresentação e debate de sua obra, assim como por meio de estudos literários e filosóficos de seu interesse. Homenageiam-no igualmente através da própria literatura, em poesias, um conto e uma crônica.

Os ensaios deste livro trazem diferentes formatos: pequenas resenhas e recensões críticas, publicadas em jornais e revistas especializadas, apresentações e prefácios de livros de Benedito Nunes, sem prejuízo de ensaios e estudos mais detidos. Assim, este volume pretende plasmar a versatilidade e movimentação do pensamento do autor homenageado, que também se valeu de diferentes formatos ensaísticos para esculpir o seu pensamento.

Reúnem-se para saudá-lo tanto seus contemporâneos - autores consagrados com cujas obras dialogou e que lhe permitiram formar a sua própria fisionomia intelectual – como estudiosos mais novos, seus leitores e alunos, que encontraram em sua obra uma fértil fonte de compreensão da Literatura e Filosofia, aprendendo a aproximá-las e pensá-las em diálogo mutuamente enriquecedor.

Engrandecem, ainda, este volume autores estrangeiros (Vilém Flusser, João Barrento, Liberto Cruz e Jean-Fraçois Nordmann), registrando a fecundidade do intercâmbio cultural propiciado por Benedito Nunes, que contribuiu para a disseminação do pensamento filosófico e estético entre nós, assim como ajudou o estudo da literatura brasileira nas universidades estrangeiras por que percorreu. A universalidade da reflexão de Benedito Nunes foi notada pelo filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser, na resenha que escreveu ao seu primeiro livro, O mundo de Clarice Lispector (1966), inscrevendo-o, junto com a autora de A Paixão Segundo G.H., na “conversação geral que se desenvolve no Ocidente”, afirmando a maturidade que atingira o pensamento brasileiro, digno de ser lido também por outros países, em outras línguas.

Nesta demonstração de estima intelectual à obra de Benedito Nunes muitas vezes transparece a admiração pessoal pelo homenageado, que sabe harmonizar, com integridade e coerência, pensamento e vida. Indiferente ao êxito, Benedito Nunes mantém-se concentrado numa obra que se agigantou e atingiu uma magnitude notável.

Compreende-se o afeto à sua pessoa, que muitos autores quiseram registrar neste livro, pela generosidade de sua inteligência, plasmada numa atitude amável e bondosa. Concordando com Moacyr Laterza, os que podem privar da “honra de seu convívio” apreciam:

 

“Não o nome ou renome internacional de Benedito Nunes. Antes, sua pessoalidade ímpar, sua presença serena, posto que discreta e suave, resguardando sempre com modéstia as louçanias de sua alma nobre.”[1]

 

Esta reserva, seu traço fundamental, torna-o avesso a todo tipo de elogios. Contudo, este livro, feito à sua inteira revelia e certamente contra a sua maneira recatada de ser, reconhece a objetividade e exemplaridade de que se revestem a sua vida e obra.

 

***

 

Este livro não se concretizaria se não fosse o apoio de certas pessoas fundamentais. Agradeço ao professor Luiz Costa Lima que, de imediato, dispôs-se a ajudar-me na realização deste projeto. Marco Antonio Casanova também o incentivou e foi um interlocutor constante ao longo de seu desenvolvimento. Sergio Cohn, da Azougue Editorial, acolheu-o com o mesmo vigor que o originou. Age de Carvalho diagramou, cordialmente, três poemas do livro, o seu, o de Max Martins e o de Haroldo de Campos. Agradeço a Ernani Chaves, Jucimara Tarricone, Maria de Fátima Nascimento e Stella Pessôa pela ajuda na reunião da inacabável obra de Benedito Nunes. Por fim, registro minha gratidão aos que ajudaram desinteressadamente e sem sabê-lo, Benedito e Maria Sylvia Nunes, sine quibus non.

 


[1] Orelha de B. Nunes, Hermenêutica e Poesia. O Pensamento Poético, org. M.J.Campos, Belo Horizonte, Ed.Ufmg, 1999.







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