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PALESTRAS

DIALÉTICO

PALESTRA

A descoberta da existência pelo tempo: de Aristóteles a Agostinho

Palestra de lançamento do Livro Heidegger, de Benedito Nunes, no IFCH-UFPA.

 

Conheça a obra de Benedito Nunes, na Seção Edições.

 

Evento: Lançamento do Livro Heidegger, de Benedito Nunes

Realização: Editora Loyola, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), a Faculdade de Filosofia (FAFIL) e o Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL) da UFPA e Portal Dialético

Local: Auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFPA

Dia e hora: terça, dia 25/4/2017, às 16h.

Professor: Victor Sales Pinheiro (ICJ-UFPA, Organizador do livro):

Palestra:

A descoberta da existência pelo tempo: de Aristóteles a Agostinho

 

A. Saudação

            1. Boas-vindas

2. Agradecimento ao apoio do IFCH, FAFIL, PPGFIL, Ed. Loyola, Dalético

3. Alegria de estar com o prof. Nelson, reconhecido estudioso de Heidegger

4. Satisfação de estar no IFCH: Problema do insulamento dos departamentos: IFCH e ICJ

5. Lançamento “acadêmico”, com palestras que possam inserir os leitores no universo do livro

B. Apresentação do Livro

1. Série BN da Ed. Loyola: 5º

O tempo da narrativa (1988)

Passagem para o poético (1992)

No tempo do niilismo (1993)

Crivo de Papel (1998)

2. Reunião de 14 ensaios da década de 1990

Jornais – para o grande público

Revistas acadêmicas – para especialistas

3. Divido em 3 partes e 1 Apêndice

Apresentação do Organizador

            Contexto da obra de Benedito Nunes

            Recepção de H. no Brasil (Ernildo Stein e Carneiro Leão)

Influência de H. em BN: gesto heideggeriano do pensamento poético, de dialogar com os poetas (lato senso)

            Passagem do I ao II Heidegger

           I Parte – Caminhos e Palavras

                                   Apresentação sistemática da Obra

           II Parte – Metafísica do Dasein (Victor)

                                  H. e Aristóteles: herm. facticidade

                                   Experiências do tempo: temporalidade e historicidade (ST)

  III Parte – História do Ser

Nelson: Metafísica, História e Poesia: Benedito Nunes e seus encontros com o Heidegger tardio

                        Apêndice: misticismo e político (textos antigos, valor histórico)             

3. Palestra

1. BN e H                    

2. H e Aristóteles                       

3. H. e Agostinho      

4. Diálogo hermenêutico

4.1. Victor com BN, H, Arist. E Agost.

4.2. Objetivo: que o leitor filosofe, proceda ao seu diálogo com os filósofos, a partir da “fusão de horizonte” com o seu “horizonte de pré-compreensão”

4.2.1. Crítica ao cientificismo, ao objetivismo e ao academicismo contemporâneo

4.2.2. Acadêmicos estudam Filosofia, mas não filosofam 

I. Introdução biográfica: BN descobre H

O que justifica uma interlocução de mais de 60 anos, de 1950 a 2010?

Fonte: Meu caminho na crítica’ (A clave do poético, disponível online no Portal Dialético)

VSP, ‘A formação de BN’ (Apresentação do Livro em Homenagem O pensamento poético, da Revista Asas da palavra, disponível no Portal Dialético)

1. Existência fática, sem esteio metafísico

1.1. A morte de Ivan Ilitch

Encontro com a facticidade, com o estar-jogado, finitude, o ser-para-morte

1.2. “thauma” – questão do ser, mistério do mundo, fundo religioso e místico - motor da filosofia

2. Poesia como revelação da existência humana pela linguagem

            2.1. Papel de Sartre (Leitura de ‘Meu caminho na crítica’)

II. Aristóteles e a hermenêutica da facticidade

0. Introdução

0.1.Ambiguidade:

            1. Facticidade

2. Tempo cronológico (Física): medida do movimento (dif. tempo existencial, que se antecipa ao futuro – tempo como êxtase) p. 47-48

3. Tempo ontológico–existencial (Dasein)

 

0.2. Textos preparatórios de Ser e tempo (1927): hermenêutica da facticidade

                        1921. De anima de Aristóteles

                        1922-1923. Indicação da situação hermenêutica

1922. Interpretações fenomenológicas de AR (Relatório Nartop)

                        1923. Ontologia

                        1924-1925. Platão: O Sofista

1. Analítica do ser-aí

Poiesis e Praxis (EN, VI, p. 40-41)

2.1. “Poeisis” (produção instrumental, fazer técnico) - existir inautêntico

Mundo da cotidianidade, preocupação

temporalidade  vulgar, tempo abstrato ou tempo ocupado

ocupação com os entes intramundanos, disponíveis à mão

                        2.2. “Praxis” (ação finalística, agir ético)

                                   Articula o presente ao passado e ao futuro

                                   Apropriação pela ontologia fundamental

2. Hermenêutica da facticidade: “A interpretação de Aristóteles é, neste escrito, inseparável da situação hermenêutica, de seu horizonte definido pelo ponto de vista e a orientação do olhar dirigido para a pesquisa filosófica em sua dimensão ontológica. E qual é o objeto dessa pesquisa senão o Dasein humano (das menschliche Dasein) “interrogado em seu caráter de ser”? Essa interrogação já focaliza a vida fáctica (faktischen Leben) no desdobramento de seu ser temporal, com o que Interpretações fenomenológicas de Aristóteles nos oferecem um esboço da ontologia fundamental ou um primeiro apanhado da conceptualística de Ser e tempo. Mas é o objeto da pesquisa assim definido que possibilita e circunscreve a interpretação. Sem a mobilidade da vida fáctica, com a sua circunspecção, com o seu horizonte histórico, a sua “decadência” e a volta sobre si mesma no enfrentamento da morte, não teríamos a problemática filosófica que orienta o olhar interpretativo no trabalho empreendido por uma hermenêutica fenomenológica da facticidade, a qual parte de uma situação prévia facticial com o fim de explicitá-la. E que só poderá fazê-lo a contento se desembaraçar o caminho a trilhar da tradição doutrinária filosófico-teológica, como aquela que, implicando numa concepção do homem e da vida, se originou de São Paulo, de Santo Agostinho e de Lutero. Essa concepção enraíza-se na Física, na Psicologia, na Ética e na Ontologia aristotélicas, mas em função de uma escolha interpretativa determinada” (p. 41)

 

3. Destruição da história da metafísica: “Perguntar “o que é o ente (ti to on), objeto de todas as pesquisas presentes e passadas, diria o primeiro dos dois pensadores [Heidegger], problema sempre a resolver, equivale a indagar: o que é ousia?” Mas na resposta de Aristóteles, o tempo, jogo de criança a que se referiu Heráclito, introduziu-se à sua revelia, conformando o ente com ousia pelo presente, um dos êxtases da temporalidade, justificando o trabalho heideggeriano, previsto em Ser e tempo, de destruição da história da ontologia, ou seja, a prática da exegese negativa, que consiste em escavar, mediante a renovada tradição das diversas concreções – a idea de Platão, a ousia aristotélica, a quidditas escolástica, o pensamento em Descartes, a vontade em Fichte e Hegel, a vontade de potência em Nietzsche – que constituem os eminentes tópicos da história do ser desenvolvida numa segunda fase do pensamento de Heidegger, posteriormente à ontologia fundamental, arquitetada em Ser e tempo. Dentro desse quadro da história do ser, restituir-se-ia à ousia a sua carga temporal, sem desvalorizar-se o conceito respectivo, herdado pelos escolásticos e por eles reelaborado, como essência ou quidditas, que não nos compete aqui examinar.” (p. 44)

 

III. Agostinho e a temporalidade da existência

            0. Introdução

0.1. Tempo: Um dos principais temas BN

O principal de H., questão ontológica                    

0.2. Livro “Heidegger”: ‘Experiências do tempo’

1920-1921. Fenomenologia da Religião

1924. O conceito de tempo (Teólogos de Marburgo)

1927. Ser e tempo

1930. Conferência em Beuron – O Exame de Sto. Agostinho sobre o tempo

            1. Descoberta da existência pelo “temporalidade”

(Safranski: Cap. 6. A postura primordial do vivenciar;

Cap. 7. Mundanidade: um conceito de Deus)

1.1. vida fática (p.145)

                        sem esteio metafísico

                        nada justifica a fé religiosa e a verdade metafísica

Igreja Tradicional (que ele abandona em 1919): verdade disponível “à mão”.

1.2. Fenomenologia da religião (“protestante”) (1920´s)

S. Paulo e S. Agostinho – Lutero e Kierkegaard

1.3.‘Interpretações fenomenológicas de Aristóteles’ (1921-1922)

(p. 149)

“Em profundos pensadores religiosos, Deus torna-se um nome para o mistério do tempo”

“Quem quer compreender a si próprio, tem de esclarecer a situação em que se encontra. (...) Não podemos contemplar de fora essa vida na qual estamos, estamos no meio dela, rodeados pelos seus detalhes”

S. Paulo, S. Agostinho –questionar a Deus é indissociável de se questionar a si mesmo, eles não se abstraem a si mesmos para questioná-lo abstratamente – o que seria um vício escolástico

F. Existência em geral tem origem cristã, neste sentido

            2. Ser e tempo: ser-aí, cuidado e temporalidade

            (Brachtendorf, L. XI, p. 260

            Passagem para o poético, cap. IX.2. Tempo e temporalidade, p. 135)

                        2.1. Tempo vulgar (abstrato e ocupado) e tempo existencial (extático)

                        2.2. Estrutura fundamental do SER-AÍ é o CUIDADO

                                   a. Estar-lançado (ser-si-mesmo) – passado original - retroveniente

                                   b. Projeto (ser-com) – futuro original - adveniente

                                   c. Ser junto a – presentificação – apresentante                   

            3. Três momentos decisivos: Aristóteles, Santo Agostinho e Kant

           4. Santo Agostinho permaneceu no nível metafísico ?

                        Pela distentio, sim

                        Pela extensio, não: alcança a temporalidade

5. As confissões: narrativa autobiográfica de conversão

            Da existência inautência à autêntica

            Pergunta básica pelo ser-aí – pelo tempo

6. Deus transcendente – revelador do ente 

“Dai-me o que amo” – “Dai-me o ente, que é propriamente o ente; dai-me que eu possa deixar Deus ser Deus”

            Deus é a fonte de todo ente

            (Brachtendorf, p. 267-268)

7. Críticas conclusivas

7.1. Eliminação da concepção agostiniana de vida eterna, transcendente (finitude)

7.2. Vida tripla pela dualidade (in-autêntica)

                        Pecado – purgativa

                        Graça – iluminativa

                        Paz – unitiva

7.3. Deus transcendente – revelador do ente  

 

IV. Bibliografia

AGOSTINHO, Confissões.  

BRACHTENDORF, Johannes. Confissões de Agostinho (Ed. Loyola).

GUITTON, Jean, Le temps et eternité chez Plotin et Augustin (Ed. Vrin)

HEIDEGGER, Martin. De anima de Aristóteles (1921), Indicação da situação hermenêutica (1922-1923), Interpretações fenomenológicas de AR (Relatório Nartop) (1922), Ontologia (1923), Platão: O Sofista (1924-1925), Fenomenologia da Religião (1920-1921), O conceito de tempo (1924), Ser e tempo (1927), O Exame de Sto. Agostinho sobre o tempo (Conferência em Beuron, 1930)

NUNES, Benedito. O tempo da narrativa (1988), Passagem para o poético (1992), No tempo do niilismo (1993), Crivo de Papel (1998), A clave do poético (2009)

PINHEIRO, Victor Sales. Idea e Aletheia. A confrontação de Heidegger com Platão. Tese de Doutorado em Filosofia. Orientador Marco Antônio Casanova. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 2013.

SAFRANSKI, Rudiger. Heidegger - um Mestre da Alemanha Entre o Bem e o Mal.

 

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