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Aula. Teodiceia e a existência do mal

Curso Presencial e Online de Filosofia: Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino

 

Curso Presencial e Online da Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino 

Módulo III. A existência de Deus

Aula. TEODICÉIA E O PROBLEMA DO MAL 

Introdução

1. Ponto de partida: Existência de Deus (q.2, art.3, 1ª objeção): Como pode Deus ser infinitamente bom e não destruir o seu oposto, o mal? Se o mal existe, logo Deus não existe (como infinitamente bom e onipotente)

1.1. Ou Deus não é (sumamente) bom, ou não é onipotente, ou não existe (deste modo, ou de nenhum modo)

1.2. “Solução” de Agostinho: Deus permite o mal para dele extrair um bem maior.

2. Plano da aula

            2.1. Problema do mal

            2.2. Sto. Agostinho: Confissões e Livre-arbítrio

2.3. Argumentos teístas

2.4. Sto. Tomás de Aquino: Suma Teológica Ia, q. 6. Da bondade de Deus (Tratado do Deus Único), q. 48-49. Sobre o mal e A causa do mal (Tratado da criação do mundo em seis dias)

 

I. Problema do mal

1. Formulação inicial: o mal pressupõe o bem, como seu oposto (zoroastrismo, maniqueísmo, gnosticismo) ou privação (catolicismo)

2. Positividade do bem e negatividade do mal: o mal figura como uma disfunção, uma anomalia ou um desvio de um plano pré-estabelecido por Deus, como uma “doença” que aflige um corpo inicialmente sadio. Toda anormalidade pressupõe uma normalidade.

3. Deus criador e bondoso: a existência e a bondade de Deus são inferidas da existência e a bondade da criação, como a causa é inferida do efeito.

4. Ressalva ateísta: o louvor e adoração a Deus, como ser onipotente e bondoso, não condiz, porém, com o mal no mundo.

4.1. Se Deus é o designer (arquiteto) do mundo, e o mundo tem falha, logo Deus tem falha. Se ele tem falha, ele não é perfeito e, portanto, não é digno de adoração. Logo, ele não merece adoração e culto.

5. Argumento ateísta: três proposições supostamente incompatíveis

5.1. Deus é onipotente

5.2. Deus é plenamente bom

5.3. O mal existe

 

II. Agostinho (O Livre-arbítrio e Confissões)

            1. Questão do mal como primeiro grande problema e questão permanente da Ontologia e da Teologia.

1.1. Adesão ao maniqueísmo: dualismo que considera o Mal uma substância em conflito cósmico com o Bem

                        1.2. (Neo)Platonismo como resposta ao dualismo maniqueísta

            2. Especulação metafísica e teológica platônico-cristã

                        2.1. Incriado, Deus é perfeito, incorruptível e imutável

                        2.2. A criação em geral é corruptível e mutável

2.3. O mal é a corrupção, que afeta algo que existe de forma ordenada (boa), privando-o da sua ordem existencial, destruindo-o.

2.4. Só pode ser corrompido o que é bom, já que corrupção é a perda de uma bondade.

2.5.  Só não se corrompe o que é absolutamente perfeito (Deus) e o que está absolutamente corrompido, privado de toda bondade (mas isso não existiria, porque estar privado de toda bondade é estar privado de todo ser – sentido ontológico, teleológico e formal da bondade)

    2.6. Tudo o que existe é bom por existir.

2.7. O mal não é uma substância, uma realidade positiva, subsistente em si mesma, mas simplesmente privação de algo existente e bom. Ou seja, o mal é uma falta de bondade onde a bondade deveria estar. 

2.8. Deus é criador de tudo, logo nada existe que não seja criação de Deus

                        2.9. Deus é bom, logo tudo o que ele criou é bom

2.10. Assim, o mal não existe em si, não tem substância própria, não subsiste independente do bem que ele corrói. Ele é mera “privação”, falta de medida, forma ou ordem.

2.11. A bondade é “medida, forma e ordem”. O mal é a privação da medida, da forma e da ordem

2.11.1. Medida é a grandeza ou excelência de uma natureza. Quanto mais medida tiver uma coisa, mais parecida com Deus. A privação de medida é um “mal ontológico”, porque as coisas que sofrem deste mal continuam boas na medida em que existem, de forma má porque desmesurada.

2.11.2. Ordem é a harmonia das coisas.

Quanto mais ordenadas as coisas, mais integradas ao plano divino que as criou de modo orquestrado. O “mal natural” parece ser uma desordenação, mas ele não existe quando considerada a totalidade do cosmos, governada pela Providência divina.

2.11.3. Forma é o alcance do padrão da natureza de um ente.

Quanto mais bem formado estiver uma coisa, mais atualiza a sua potência natural. O “mal moral” é uma deformação da natureza humana pela privação da finalidade da ação humana.

a) Mistério da iniquidade: Queda como escolha livre do mal (pecado original)

b)  Porque o mal é nada, não se explica como o homem pôde escolhê-lo, preterindo o bem.

III. Argumentos teístas

  1. Doutrina do bem maior: argumento dos meios e fins

1.1. Limitação do conhecimento humano diante da insondabilidade dos desígnios de Deus

1.2. Fatos aparentemente maus, considerados isoladamente, podem compor uma orquestra de coisas boas (como sons de uma sinfonia)

1.3. Recompensa (Justiça)

1.4. Virtudes de segunda ordem: bravura (em resposta ao perigo), generosidade (em resposta à carência )

1.5. Argumento do livre-arbítrio: ninguém teria mérito moral se não praticasse livremente uma ação, e não pudesse preteri-la a uma alternativa pior

   1.6. Aperfeiçoamento moral

2. Teodiceia do livre-arbítrio: O melhor mundo possível é aquele em que os homens agem livremente para o bem. Mas a liberdade pressupõe que os homens também possam fazer o mal. Caso contrário, não seriam livres e nem bons

3. Argumento da irrealidade do mal (privação): Santo Agostinnho, Confissões, III, vii: 12; Santo Tomás, Suma Teológica, Ia, 48, 1)

4. Impossibilidade de julgamento moral, sempre contextual, histórico e social, em relação a Deus 

 

IV. Suma Teológica

1. Da bondade de Deus (Tratado do Deus Único; Ia, q.6)

2. Sobre o mal (Tratado da criação do mundo em seis dias; Ia, q. 48)

3. A causa do mal (Ia, q. 49) 

 

V. Bibliografia: 

    ZILLES, Urbano. Filosofia da religião (Ed. Paulus).
    TOMATIS, Francesco. O argumento ontológico. A existência de Deus de Anselmo a Schelling (Ed. Paulus).
    MODIN, Batista. Quem é Deus? Elementos de teologia filosófica (Ed. Paulus).
    ADLER, Mortimer. Como provar que Deus existe? (Ed. Vide)
    DAVES, Brian. An introduction of the philosophy of religion. (Ed. Oxford)

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