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Diálogos com Prof. Marcus Boeira (UFRGS): “Filosofia, Cultura e Educação” (I)

Conversa sobre filosofia, amizade, diálogo, autoconhecimento, crise da cultura e filosofia analítica

 

 

Diálogo: “Filosofia, Cultura e Educação” (Parte I)

Local: Belém, Pará

Data: 11.março.2017

Professores: Victor Sales Pinheiro (UFPA)

                      Marcus Boeira (UFRGS)

 

Tópicos:

I. Diálogo e amizade

1. Filosofia como forma de vida

2. Ascese intelectual, autoconhecimento e universalidade do homem

3. A questão do padrão objetivo para o autoconhecimento

4. Amizade como diálogo que aponta à universalidade

5. A amizade filosófica de Sócrates, Platão e Aristóteles: compartilhamento de bens e fins compartilhados

6. Platão e os vícios morais que impedem a ascese intelectual: vaidade, arrogância e soberba e a autoaprisionamento narcísico  

7. Abertura para o outro e para o humano

8. O problema do relativismo

9. Amizade, bem comum, transcendência

10. O decantação das camadas interiores da personalidade

11. Filosofia reduzida à disputa (erística), sem o fim da verdade

12. Santo Agostinho e a dualidade metafísica sensível-exterior e inteligível-interior

13. Encontro consigo a partir do encontro com (anti)modelos miméticos

14. Autoconhecimento cristão: Deus como interlocutor onisciente (método confessional)

15. Amizade pedagógica e a vocação docente

16. Estrutura de tradições sapienciais de descoberta da interioridade

17. Mistério interior, biografia individual, práticas sociais e estruturas psíquicas

18. Práticas sociais e modelos de linguagem de interpretação e significação de mundo

19. Ideal de vida e o fechamento em si pela identificação neurótica ou paranoica com o modelo (erro de narciso), negligenciando o esforço moral de atingi-lo; vícios do autoaprisionamento da alma (Inferno de Dante)

20. Identidade subjetiva, unidade de vida ao longo do tempo e narrativa autobiográfica (Santo Agostinho) articuladas a um plano de vida como aspecto da racionalidade prática (John Finnis)  

 

II. A crise da cultura e da civilização

1. Santo Agostinho e a descoberta da história de uma cultura na qual o indivíduo está inserido. Diferença entre história contínua e mito cíclico (Voegelin)

2. Indivíduos como sujeitos históricos. Crise moral e crise cultural.

3. Sabedoria dialógica e alteridade na hermenêutica filosófica (Gadamer e Ricoeur)

4. Filosofia analítica e espiritualidade do homem. Alma reduzida à mente lógica-matemática. Alma moral e alma cognoscente. (Ascombe)

5. Filosofia clássica e religião (Platão e Parmênides)

6. Analogia das perspectivas narrativas biográficas individual, social, cultural e civilizacional e de tradições religiosas. Particularidades e abertura à universalidade.

7. Atribuição de sentido à História.  Articulação do sentido da vida humana pessoal e da história numa direção comum (Santo Agostinho). As relações entre o tempo e a narrativa. As contradições histórico-temporais entre indivíduos, sociedades e culturais em períodos históricos diferentes. Crises culturais: ausência de fruição comum de bens como finalidades das ações (caso central, método de Finnis). Conceito de ordem em Voegelin.

8. Ausência de modelos miméticos como critérios morais que permitem o autoconhecimento. Crise de identidade e indiferenciação. Bode expiatório aleatório (Girard). Relações burocráticas ou de mera conveniência. Relações digitais e a construção de uma personagem. Crise neurótica de identificação com um ideal forjado.

9. Cultura no sentido pedagógico: possibilidade de atualizar potencialidades humanas latentes pela superação do próprio tempo ao recuperar obras de outras épocas. Exemplo moral dos santos. Exemplo poético de Virgílio e Dante. História como dinâmica de reapropriação do legado cultural de outras sociedades. Dimensão moral da cultura como fundamento da formação humanista. Eliot e Guimarães Rosa: mergulho “arqueológico” às fontes da cultura a fim renovar possibilidades humanas latentes. Cultura como resistência ao naufrágio da civilização.

10. Trabalho hermenêutico de recuperação, tradução e recepção da Escola de Salamanca (Ed. Concreta)

11. A busca do patrimônio cultural como busca de sentido, de explicitar as raízes culturais das gerações passadas. Isso pressupõe esforço. O retorno de Odisseu à Ítaca como metáfora do esforço filosófico de buscar o sentido cultural perdido, “voltando para casa”. Interpretação neoplatônica desse mito (Plotino).

12. A crise da cultura como dispersão em elementos secundários. Banalização da vida como elemento característico da contemporaneidade pós-modernista, era do relativo, do contingente.

13. Escola Salmantina como exemplo de recuperação cultural de Tomás de Aquino numa época de crise e transformação.

14. A atual recuperação do direito natural como resgate de um critério moral e jurídico permanente na consciência ocidental (Finnis)

15. Filosofia analítica não é necessariamente um rompimento absoluto com a religião (Plantinga). Seu objeto é uma metafísica da linguagem e seus objetos particulares (Strawson). Seu caráter instrumental pode beneficiar várias ciências e saberes humanos (Ascombe, Intention). Ela não está fechada para outros campos, como para a metafísica (Epistemologia de Kant). Eventos mentais (Davson). Contribuição para ética normativa.  

16. Teoria analítica da lei natural como epistemologia da razão prática e dos bens humanos (Finnis). Caso central é o direito positivo como sistema normativo, no que concordam os positivistas. Condições proposicionais de verdade da razão prática. Lógica deôntica para o jusnaturalismo e juspositivismo.

17. Aporias internas do neopositivismo lógico (Ayer, Carnap). Desenvolvimento da filosofia analítica em Quine, Wittgenstein, Frege e Russe
 

18. Problema da fragmentação epistemológica das ciências e da filosofia (Ortega y Gasset). Necessidade do conhecimento da tradição filosófica para aceder à complexa problemática contemporânea.

19. Filosofia como diálogo com a tradição. Ausência de condições culturais para a exigente prática da Filosofia. Opções do derrotismo resignado ou do heroísmo autodidata (Benedito Nunes). Entrar de corpo e alma na busca do conhecimento. Ascese. Descoberta da vocação intelectual como imitação (“mimeses”) e maravilhamento (“thauma”). Não mera imitação, mas busca sincera de entender seu papel no cosmos. Filosofia grega. Atração (“eros”, “philia”) pelo conhecimento (Voegelin).

20. Condição antropológica do homem como animal racional e político (Aristóteles): atribuição de sentido para sua própria vida e para a sociedade. Sem organização razoável dos saberes humanos, a fragmentação leva a eleger um deles como o supremo de forma arbitrária. Exemplo da análise econômica do Direito, disciplina “Law and Economics”. Exemplo do pensamento liberal. A figura dramática do Erixímaco, como médico especialista (Banquete de Platão). Crise do especialismo. Ciência e vida. Pensamento e prática.

 

REFERÊNCIAS: Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Dante (Inferno, A Divina Comédia), Voegelin, Gilson (Espírito da filosofia medieval), Sertillanges (A vida intelectual), Parmênides,  Gadamer, Ricoeur, Ascombe, Girard, Homero, Virgílio, Dante, Eliot, Guimarães Rosa, Escola de Salamanca (Vitória, Suárez e Soto), Carlos Alberto Nunes, Plotino, Finnis, Plantinga, Strawson, Ortega y Gasset, Benedito Nunes.

 

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