INÍCIO > PALESTRAS > É justo desobedecer a uma sentença injusta?

PALESTRAS

DIALÉTICO

PALESTRA

É justo desobedecer a uma sentença injusta?

Mesa-redonda de lançamento dos Diálogos de Platão, com professor Victor Pinheiro, Saulo Matos e Antônio Maués

Evento: XIX Feira Pan-Amazônica do Livro - Ciclo de Debates de lançamento dos vols. 5-8 dos diálogos de Platão (Ed.UFPA)

Local e data: Hangar, Centro de Convenções da Amazônia, em 2.jun.2015

Professores palestrantes:

Victor Sales Pinheiro (coord.; UFPA)

Saulo Matos (UFPA)

Antônio Maués (UFPA)

Palestra: “É justo desobedecer a uma sentença injusta?”

 

I. INTRODUÇÃO

1. Motivação de Platão a escrever a sua obra literária: morte e vida literária, cultural e memorial de Sócrates

2. Diálogos que tratam do contexto da morte de Sócrates: Eutífr   on; Apologia de Sócrates;Críton; Fédon (República)

3. Significação cultural incomparável da morte Sócrates: “Mito fundador” da Filosofia

 

II. APOLOGIA

0. Visão geral

0.1. Melhor introdução à filosofia platônica: o verdadeiro filósofo vive tal como pensa

0.2. Inversão: ao ser julgado por Atenas, Sócrates a julga a cidade mais sábia da Hélade

0.3. Gênio literário: recriação poética – contexto dramático

 

1. Contexto histórico (399 a.C)

1.1. Guerra do Peloponeso (431-404): Esparta vence Atenas

           1.2. Fracassada expedição de Sicília, liderada por Alcibíades  

1.3. Governo oligárquico, liderado por Crítias. “Tirania dos Trinta” (404), subordinada ao comando espartano de Lisandro, chefe que garantiu a vitória definitiva de Esparta

1.4. Guerra Civil (403) entre oligarcas (Crítias e Cármides) e democratas (Trasíbulo). Vitória dos democratas, auxiliados por Pausânias, rei de Esparta. 

 1.5. Condenação de Sócrates: bode expiatório, mestre de Alcibíades, Crítas e Cármides, jovens que desempenharam papel negativo na vida política ateniense (399)

 

2. Contexto jurídico

2.1. Aos 70 anos, Sócrates ainda não tinha sido processado

2.2. Democracia participativa

2.3. Defesa própria de Sócrates

2.4. “Elenchos” (refutação)

2.4.1. Jurídico – juízes democráticos (“muitos” testemunhos, povo)

2.4.2. Filosófico (dialético) – interlocutor qualificado (inteligência individual). Sócrates iInterroga Meleto, transformando a dialética jurídica em filosófica

 

3. Dimensão religiosa

 3.1. Mesmo se acusado de “ateísmo”, considerava-se “servidor da divindade” de Apolo (13a)

            3.2. Segurança e confiança no daimon

            3.3. Preocupação primordial com a alma, não com o corpo e a riqueza, fama...

3.4. Presença da religião na Apologia: deuses, daimons, heróis semi-deuses: Aquiles, Ajax, Apolo, Hades, Hera, Museu, Orfeu, Palamede, Pátroclo, Tétis, Ulisses, Zeus, ...

            3.5. Sócrates como “mártir”, testemunha de uma verdade que o transcende

 

4. Dimensão pedagógica (religiosa-ética-política)

 4.1. Religião civil poética e moral, sem doutrina (ortodoxia) nem corpo sacerdotal (hierárquico)

4.2. Modelos heróicos dos poetas (Homero e Hesíodo): virtudes de coesa social; questionar o ethos heróico implica esgarçar o tecido social. 

 

5. Dimensão ético-pedagógica

            5.1. Elenchus dialético: em que acreditas, como pensas, como vives?

            5.2. Inconveniência, ironia, para provocar a conversão

5.3. Sócrates: “Ao me condenar, imaginam estar livres da obrigação de justificar, dar razões as suas vidas (didonai elegkhon)” - dar justificação da existência de vocês (23c-e)

 

III. CRÍTON

          1. Contexto dramático: prisão, entre o julgamento (Apologia) e a execução  (Fédon)

2. Críton organiza a fuga de Sócrates, segundo a opinião do “povo” (dos muitos, hoi polloi)

3. Sócrates segue a sabedoria e os sábios (conhecimento técnico especializado), e não as modas atuais do povo

          4. Personificação das Leis 

5. Dois problemas subsistentes

5.1. Primeiro, definição universal e, depois, caso particular (não raciocinar por exceção)

                    5.2. bom moral x bom legal

 

IV. BIBLIOGRAFIA

PLATÃO. Apologia; Críton. Edição Bilíngue. Vol. 5. Tradução Carlos Alberto Nunes. Org. Victor Sales Pinheiro e Benedito Nunes. Belém: Ed. UFPA, 2015.

ALBERT, K. Platonismo. Caminho e essência do filosofar ocidental. SP: Loyola, 2011.

HADOT, P. O que é filosofia antiga? SP: Loyola, 1999.

JAEGER, W. Paidéa. A formação do Homem Grego. SP: M.Fontes, 2010.

JOHNSON, P. Sócrates. Um homem do nosso tempo. RJ: Nova Fronteira, 2012.

MATTÉI, J.F. Platão. SP: Unesp, 2010. 

NUSSBAUM, M.C. A fragilidade da bondade. Fortuna e ética na tragédia e na filosofia grega. SP: Martins Fontes, 2009.

SANTOS, J.T. Para ler Platão. Tomos I-III. SP: Loyola: 2008-9.

SPINELLI, M. Questões fundamentais da filosofia grega. SP: Loyola: 2006.

SZLEZÁK, T.A. Ler Platão. São Paulo: Loyola, 2005.

SUGRUE, M. Plato, Socrates and The Dialogues. Course guidebook. Virginia: The Teaching Company, 1998. 

© 2018 - Todos os direitos reservados para - Portal Dialético - desenvolvido por jungle